terça-feira, 17 de março de 2015

Critérios de correção das redações de vestibulares, ENEM e concursos


São quatro aspectos ou critérios que quaisquer bancas examinadoras de Vestibulares, ENEM e Concurso corrigem as redações:

1. Aspecto Estético
(tem caráter obrigatório, por se tratar de um documento, de um texto formal. Não se ganha ponto pelo acerto, só desconta!)

(    ) Nunca rasure ou borre;
(    ) Sobreposições;
(    ) Margens regulares;
(    ) Paragrafação bem feita;
(    ) Local do título;
(    ) Observe a quantidade de linhas solicitadas na prova;
(    ) Legibilidade (Cuidado! Só este aspecto estético pode eliminar o seu texto).

2. Aspecto Gramatical
(todo o componente responsável pela expressão, as regras, as características formais da língua)

(    ) Faça a concordância e a flexão correta dos tempos verbais;
(    ) Não fragmente a frase, separando o sujeito do predicado;
(    ) Cuidado com a separação silábica;
(    ) Cuidado com a pontuação, acentuação e ortografia;
(    ) Use corretamente os pronomes;
(    ) Eco textual;
(    ) Termos coloquiais;
(    ) Emprego equivocado do gerúndio.

3. Aspecto Estilístico
(Maneira, estilo, jeito que cada um escreve. Pode-se pedir o mesmo tema para milhares de estudantes e cada um fará o seu próprio texto!)

(    ) Evite repetição de palavras;
(    ) Não escreva períodos muito curtos (que travam o texto) nem muito longos (que possibilitam o erro);
(    ) Cuidado com o abuso do “e”, “mas”, “que”, “pois”;
(    ) Não seja prolixo; Que se perde em explicações supérfluas
(    ) Marcas da oralidade;
(    ) Cuidado com o internetês ou com siglas;
(    ) Uso inadequado do “onde”;
(    ) Uso de palavras desnecessárias ou ideias repetidas.

4. Aspecto Estrutural
(Critérios mais valiosos, que desconta e elimina em quase todos eles)

(    ) Observe a estrutura solicitada;
(    ) Organização das ideias;
(    ) Não fuja do tema proposto;
(    ) Não faça os parágrafos/ideias incompletos, ingênuos, intimistas, racistas, etc.;
(    ) Não escreva em verso ou a lápis;
(    ) Informatividade conta muito ponto;
(    ) A originalidade é fundamental;
(    ) Cuidado com a coerência e coesão, regras de ouro na dissertação.

AGORA, MÃOS À OBRA!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Vidas Secas - Resumo obra de Graciliano Ramos



"Vidas Secas", romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.
O estilo seco de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão.
Resumo O livro possui 13 capítulos que, por não terem uma linearidade temporal, podem ser lidos em qualquer ordem. Porém, o primeiro, "Mudança", e o último, "Fuga", devem ser lidos nessa sequência, pois apresentam uma ligação que fecha um ciclo. "Mudança" narra as agruras da família sertaneja na caminhada impiedosa pela aridez da caatinga, enquanto que em "Fuga" os retirantes partem da fazenda para uma nova busca por condições mais favoráveis de vida. Assim, pode-se dizer que a miséria em que as personagens vivem em Vidas Secas representa um ciclo. Quando menos se espera, a situação se agrada e a família é obrigada a se mudar novamente.
Fabiano é um homem rude, típico vaqueiro do sertão nordestino. Sem ter frequentado a escola, não é um homem com o dom das palavras, e chega a ver a si próprio como um animal às vezes. Empregado em uma fazenda, pensa na brutalidade com que seu patrão o trata. Fabiano admira o dom que algumas pessoas possuem com a palavra, mas assim como as palavras e as ideias o seduziam, também cansavam-no.
Sem conseguir se comunicar direito com as pessoas, entra em apuros em um bar com um soldado, que o desafiaram para um jogo de apostas. Irritado por perder o jogo, o soldado provoca Fabiano o insultando de todas as formas. O pobre vaqueiro aguenta tudo calado, pois não conseguia se defender. Até que por fim acaba insultando a mãe do soldado e indo preso. Na cadeia pensa na família, em como acabou naquela situação e acaba perdendo a cabeça, gritando com todos e pensando na família como um peso a carregar.
Sinha Vitória é a esposa de Fabiano. Mulher cheia de fé e muito trabalhadora. Além de cuidar dos filhos e da casa, ajudava o marido em seu trabalho também. Esperta, sabia fazer contas e sempre avisava ao marido sobre os trapaceiros que tentavam tirar vantagem da falta de conhecimento de Fabiano. Sonhava com um futuro melhor para seus filhos e não se conformava com a miséria em que viviam. Seu sonho era ter uma cama de fita de couro para dormir.
Nesse cenário de miséria e sem se darem muita conta do que acontecia a seu redor, viviam os dois meninos. O mais novo via na figura do pai um exemplo. Já o mais velho queria aprender sobre as palavras. Um dia ouviu a palavra "inferno" de alguém e ficou intrigado com seu significado. Perguntou a Sinhá Vitória o que significava, mas recebeu uma resposta vaga. Vai então perguntar a Fabiano, mas esse o ignora. Volta a questionar sua mãe, mas ela fica brava com a insistência e lhe dá um cascudo. Sem ter ninguém que o entenda e sacie sua dúvida, só consegue buscar consolo na cadela Baleia.
Um dia a chuva chega (o "inverno") e ficam todos em casa ouvindo as histórias de Fabiano. Histórias essas que ele nunca tinha vivido, feitos que ele nunca havia realizado. Em meio a suas histórias inventadas, Fabiano pensava se as coisas iriam melhorar dali então. Para o filho mais novo, as sombras projetadas pela fogueira no escuro deixava o pai com um ar grotesco. Já o mais velho ouvia as histórias de Fabiano com muita desconfiança.
O Natal chegou e a família inteira foi à festa da cidade. Fabiano ficou embriagado e se sentia muito valente, só pensando em se vingar do soldado que lhe colocou atrás das grades. Uma hora, cansado de seu próprio teatro, faz de suas roupas um travesseiro e dorme no chão. Sinha Vitória estava cansada de cuidar do marido embriagado e ter que olhar as crianças também. Em um dado momento, ela toma coragem para fazer o que mais estava com vontade: encontra um cantinho e se abaixa para urinar. Satisfeita, acende uma piteira de barro e fica a sonhar com a cama de fitas de couro e um futuro melhor.
No que talvez seja o momento mais famoso do livro, Fabiano vê o estado em que se encontrava Baleia, com pelos caídos e feridas na boca, e achou que ela pudesse estar doente. O vaqueiro resolve, então, sacrificar a cadela. Sinhá Vitória recolhe os filhos, que protestavam contra o sacrifício do pobre animal, mas não havia outra escolha. O primeiro tiro acerta o traseiro de Baleia e a deixa com as patas inutilizadas. A cadela sentia o fim próximo e chega a querer morder Fabiano. Apesar da raiva que sentia de Fabiano, o via como um companheiro de muito tempo. Em meio ao nevoeiro e da visão de uma espécie de paraíso dos cachorros, onde ela poderia caçar preás à vontade, Baleia morre sentindo dor e arrepios.
E assim a vida vai passando para essa família sofredora do sertão nordestino. Até que um dia, com o céu extremamente azul e nenhuma nuvem à vista, vendo os animais em estado de miséria, Fabiano decide que a hora de partir novamente havia chegado. Partiram de madrugada largando tudo como haviam encontrado. A cadela Baleia era uma imagem constante nos pensamentos confusos de Fabiano. Sinhá Vitória tentava puxar conversa com o marido durante a caminhada e os dois seguiam fazendo planos para o futuro e pensando se existiria um destino melhor para seus filhos.
Lista de Personagens:
Baleia: cadela que é tratada como membro da família. Pensa, sonha e age como se fosse gente.
Sinhá Vitória: mulher de Fabiano. Mãe de 2 filhos, é batalhadora e inconformada com a miséria em que vivem. É esperta e sabe fazer conta, sempre prevenindo o marido sobre trapaceiros.
Fabiano: vaqueiro rude e sem instrução, não tem a capacidade de se comunicar bem e lamenta viver como um bicho, sem ter frequentado a escola. Ora reconhece-se como um homem e sente orgulho de viver perante às adversidades do nordeste, ora se reconhece como um animal. Sempre a procura de emprego, bebe muito e perde dinheiro no jogo.
Filhos: o mais novo admira a figura do pai vaqueiro, integrado à terra em que vivem. Já o mais velho não tem interesse nessa vida sofrida do sertão e quer descobrir o sentido das palavras, recorrendo mais à mãe.
Patrão: fazendeiro desonesto que explorava seus empregados, contrata Fabiano para trabalhar.
Sobre Graciliano Ramos
Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.
Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana, foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).
Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.
Suas principais obras são: 
"Caetés" (1933)
"São Bernardo" (1934)
"Angústia" (1936)
"Vidas Secas" (1938)
"Infância" (1945)
"Insônia" (1947)
"Memórias do Cárcere" (1953)
"Viagem" (1954)


segunda-feira, 19 de maio de 2014

A resenha


A resenha
Os conteúdos foram pensados para serem desenvolvidos em rede e progressivamente durante as aulas. Leia todo este roteiro antes de iniciar:
Ø  a resenha: características do texto argumentativo, especialmente da resenha;
Ø  a língua portuguesa e o vestibular: relação entre os conteúdos desenvolvidos de conceituação do texto argumentativo e o exame vestibular.
O que é resenha?
O sentido que vocês adotarão neste trabalho para “resenha” é aquele encontrado na quarta acepção da palavra no Dicionário Houaiss: “4. análise crítica ou informativa de um livro; recensão”.
Dessa forma, toda resenha expressa o posicionamento de quem a escreve. Além de trazer o assunto devidamente resumido, este é acompanhado de uma análise, de uma visão crítica.

A resenha: uma aproximação
1. Depois de ler com atenção o título e o trecho inicial que apresentamos, responda ao que se pede.

                       Leitura e análise de texto


Diretora aprofunda sua linguagem poética
José Geraldo Couto
Colunista da Folha
O cinema de Lina Chamie, como já havia ficado claro em seu primeiro longa-metragem, Tônica dominante (2000), é menos narrativo do que poético e musical. Em A Via Láctea, a diretora amadurece e aprofunda esse seu modo de encarar “o mundo que é” e “o mundo que poderia ser”.

Folha de S.Paulo, 1 nov. 2007.

Levando em conta que o trecho é parte de uma resenha e que esse gênero textual se caracteriza por ser uma análise crítica sobre outro texto, o que você espera encontrar na continuação da leitura? Por quê?

2. Leia a continuação do texto.
A partir de uma situação dramática forte – um amante que atravessa a metrópole em busca da amada, com quem discutiu ao telefone –, o filme desdobra cadências, harmonias, contrapontos e dissonâncias. Não é à toa que um dos livros citados ao longo da odisseia urbana de Heitor (Marco Ricca) seja Fragmentos do discurso amoroso. O filme, de certo modo, realiza no plano audiovisual uma operação análoga à do livro de Barthes ao identificar, glosar e desconstruir motivos, tropos e clichês do relacionamento amoroso.
A viagem de Heitor em busca de Júlia (Alice Braga) é mais musical do que geográfica. Não só porque é pontuada por peças de Mozart, Schubert, Satie, Jobim e Manu Chao, mas porque sua progressão não é linear, e sim feita de tema e variações, de motivos recorrentes, de rimas visuais e sonoras.
É um deslocamento inverossímil (o protagonista demora horas para percorrer a avenida Paulista), mais espiritual – em falta de palavra melhor – do que físico. Chamie não está preocupada com o realismo de um draminha psicológico urbano. Seu horizonte é cósmico e, no limite, metafísico.
Não é um filme perfeito, e nem poderia, em se tratando de uma obra de risco. (Arriscar implica também errar, embora nem sempre nos lembremos disso.) Uma certa redundância da locução em “off”, em que o protagonista externa pensamentos tornados mais ou menos evidentes pela imagem, indica talvez um receio de perder a inteligibilidade. O mesmo vale
para um recurso excessivo aos “flashbacks”, que em alguns momentos quase afrouxam a tensão do relato. No mais, A Via Láctea é um banho de invenção em meio a um cinema preocupado demais em agradar aos espectadores de TV.
Folha de S.Paulo, 1 nov. 2007.

Durante a leitura do texto, notamos a presença de cinco elementos fundamentais:
a) Inicialmente, um momento de contextualização, em que se propõe uma partida. É quando se apresenta a tese a ser desenvolvida.
b) Em seguida, um brevíssimo resumo da obra.
c) Depois, a apresentação de argumentos, isto é, de elementos que orientam para a conclusão. Tais elementos são apoiados por exemplos, regras gerais etc.
d) Apresentação de contra-argumentos, que restringem a orientação argumentativa e que podem ser apoiados ou refutados por exemplos, entre outros recursos.
e) Conclusão (ou nova tese), que faz interagir os argumentos e contra-argumentos.