segunda-feira, 19 de maio de 2014

A resenha


A resenha
Os conteúdos foram pensados para serem desenvolvidos em rede e progressivamente durante as aulas. Leia todo este roteiro antes de iniciar:
Ø  a resenha: características do texto argumentativo, especialmente da resenha;
Ø  a língua portuguesa e o vestibular: relação entre os conteúdos desenvolvidos de conceituação do texto argumentativo e o exame vestibular.
O que é resenha?
O sentido que vocês adotarão neste trabalho para “resenha” é aquele encontrado na quarta acepção da palavra no Dicionário Houaiss: “4. análise crítica ou informativa de um livro; recensão”.
Dessa forma, toda resenha expressa o posicionamento de quem a escreve. Além de trazer o assunto devidamente resumido, este é acompanhado de uma análise, de uma visão crítica.

A resenha: uma aproximação
1. Depois de ler com atenção o título e o trecho inicial que apresentamos, responda ao que se pede.

                       Leitura e análise de texto


Diretora aprofunda sua linguagem poética
José Geraldo Couto
Colunista da Folha
O cinema de Lina Chamie, como já havia ficado claro em seu primeiro longa-metragem, Tônica dominante (2000), é menos narrativo do que poético e musical. Em A Via Láctea, a diretora amadurece e aprofunda esse seu modo de encarar “o mundo que é” e “o mundo que poderia ser”.

Folha de S.Paulo, 1 nov. 2007.

Levando em conta que o trecho é parte de uma resenha e que esse gênero textual se caracteriza por ser uma análise crítica sobre outro texto, o que você espera encontrar na continuação da leitura? Por quê?

2. Leia a continuação do texto.
A partir de uma situação dramática forte – um amante que atravessa a metrópole em busca da amada, com quem discutiu ao telefone –, o filme desdobra cadências, harmonias, contrapontos e dissonâncias. Não é à toa que um dos livros citados ao longo da odisseia urbana de Heitor (Marco Ricca) seja Fragmentos do discurso amoroso. O filme, de certo modo, realiza no plano audiovisual uma operação análoga à do livro de Barthes ao identificar, glosar e desconstruir motivos, tropos e clichês do relacionamento amoroso.
A viagem de Heitor em busca de Júlia (Alice Braga) é mais musical do que geográfica. Não só porque é pontuada por peças de Mozart, Schubert, Satie, Jobim e Manu Chao, mas porque sua progressão não é linear, e sim feita de tema e variações, de motivos recorrentes, de rimas visuais e sonoras.
É um deslocamento inverossímil (o protagonista demora horas para percorrer a avenida Paulista), mais espiritual – em falta de palavra melhor – do que físico. Chamie não está preocupada com o realismo de um draminha psicológico urbano. Seu horizonte é cósmico e, no limite, metafísico.
Não é um filme perfeito, e nem poderia, em se tratando de uma obra de risco. (Arriscar implica também errar, embora nem sempre nos lembremos disso.) Uma certa redundância da locução em “off”, em que o protagonista externa pensamentos tornados mais ou menos evidentes pela imagem, indica talvez um receio de perder a inteligibilidade. O mesmo vale
para um recurso excessivo aos “flashbacks”, que em alguns momentos quase afrouxam a tensão do relato. No mais, A Via Láctea é um banho de invenção em meio a um cinema preocupado demais em agradar aos espectadores de TV.
Folha de S.Paulo, 1 nov. 2007.

Durante a leitura do texto, notamos a presença de cinco elementos fundamentais:
a) Inicialmente, um momento de contextualização, em que se propõe uma partida. É quando se apresenta a tese a ser desenvolvida.
b) Em seguida, um brevíssimo resumo da obra.
c) Depois, a apresentação de argumentos, isto é, de elementos que orientam para a conclusão. Tais elementos são apoiados por exemplos, regras gerais etc.
d) Apresentação de contra-argumentos, que restringem a orientação argumentativa e que podem ser apoiados ou refutados por exemplos, entre outros recursos.
e) Conclusão (ou nova tese), que faz interagir os argumentos e contra-argumentos.

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